Paraquedas

  


  PARAQUEDAS


   Assumir quem você e verdadeiramente e como saltar de paraquedas em direção ao abismo. Olhos fechados.Punhos cerrados. Mente em queda livre. Os medos vão se dissipando a medida que o salto acontece.

  Passar uma jornada tentando se enquadrar. Perante a sociedade. Ser aceita na família. As mulheres se casam de branco.  De preferencia de mãos entrelaçadas  junto a um homem. O que ira prover o dinheiro. Trazer a segurança. Assegurar a estabilidade. Passar uma jornada tentando negar o que a alma clama em derramar e pura insanidade. Tentar ser aceito em uma sociedade repleta de padrões. Esteriótipos.  Equilibrar o certo e o errado. Para ser bem visto. Para ganhar status. Para ser amado e principalmente aprovado.

   Chega um dia em que o desejo clama por ser ouvido. Os instintos mais primitivos pedem por um passeio. As vontades negadas querem ganhar vida.   Chegou a hora. Descortinar os medos.  Despir os preconceitos de si mesmo.  A hora de se encarar verdadeiramente no espelho.  Chegou a hora do espetáculo.  E preciso saltar de paraquedas rumo ao desconhecido já tao conhecido.  Por o pê na estrada. Arriscar sem pensar nas consequências.

  Quando saltei de paraquedas me encontrei.   Marquei um encontro comigo mesma.  Frente ao que neguei.  Resolvi dizer não pela primeira vez na vida. Parar de agradar para ser amado. Parar de correr atras para receber afeto. Parar de implorar para ganhar atenção. Parar de fingir os gostos. Parar  de usar  a ironia para curar a depressão. Parar de pensar na morte como saída de emergência.  Passar uma vida sendo o que os outros querem que você seja e como andar de forma permanente com os sapatos trocados.

  Saltei de paraquedas em direção aos meus instintos. Desejos.  Sonhos engavetados.  Afetos enlatados. Atracão louca para gritar ao mundo.  Nao vim para agradar. Nao vim para satisfazer as expectativas alheias. Nao vim para ser aceita. Vim ao mundo para causar.  Talvez chocar revolucionar e amar.

  Saltei de paraquedas para andar de mãos dadas ao lado de uma menina.  Sorriso que acende planetas.  Risada que ecoa pelas galaxias. Amor que colore as paredes acinzentadas do meu ser.  Amizade capaz de curar as cicatrizes mais  palpáveis.  Saltei ao encontro  do que sempre fui. Mas deixei de ser por tanto tempo por receio, aversão de mim mesma e um medo danado da solidao.


Qual e o seu salto de paraquedas?

Esquecimentos

Esquecimentos




  Sopa de letrinhas com caldo de feijão.  Sair dirigindo por uma autoestrada.  Dormir no deserto.  Gosto de dançar na neve. Já que isso não me lembra de absolutamente nada.
Gosto de andar em círculos dentro de casa.  Já que isso não lembra nada.   Sem remeter a lugar  ou cicatriz.  Gerar esquecimento. Coisas que amei. Coisas que perdi.

  Comida tailandesa.  Móveis sob medida.  Preocupar-se  om a  moda ou com o tempo lá fora. Me sinto segura quando penso em coisas que não lembram nada. Coisas que eram para ser para sempre, não duraram uma estação. Coisas que julguei sagradas, não passaram de uma fase.

  Tento não me prender em coisas que precisarei esquecer. Assim como tenho receio de me em me apegar em você de novo.
Não quero aprender coisas que terei que esquecer.  Assim como tenho receio de me perder na curva do teu sorriso. Acabar dormindo de colchinha com a  solidão numa tarde de domingo.

  Gosto de conversa fiada. De discursos enlatados.  Da polarização da direita e da  esquerda. Adoro mentes quadradas. Tenho tesão pela hipocrisia e cosias radicais Assim como seitas satânicas. Já que isso não me lembra absolutamente nada.

  Coisas que cultivei. Coisas que abandonei. Mas não quero aprender o que vou ter que esquecer. Não quero amar o amor que não está sendo mais servido.

  Assim como não quero embarcar de novo numa relação feita de espaços, silêncio estranhos e solidão a dois.

   Por favor não me molde.  Adoro o seu seu jeito bagunçado e constante. Só não me pergunte do meu passado. Pouco importa o caminho que percorri. Assumi os meus pecados, perdoei alguns deslizes.  Faça do nosso abraço uma morada.

  O segredo está em manter o teu sorriso com a curva para cima e nunca invertido.
Coisas que amei,. Coisas que abandonei. Coisas que conquistei,

   Eu quero aprender com você, cosias que ainda desconheço.


  Se isso tudo der errado. Esquecimentos.

Crônica: Era Sábado


Era Sábado



Era sábado, hora do almoço. O centro aos meus pés. Cidade repleta de multidões. Eu ali No vazio de estar sozinha mesmo acompanhada. Andando de mãos dadas com a minha solidão de estimação.

  Mente hiperativa. Ansiedade que bate no teto . A fuga inevitável frente ao encontro.  A vida é real e de viés.  Escolhas e consequências. Viver é equilibrar  o suportar e o existir. Cruzo os dedos para esbarrar em um sorriso que não esteja invertido. Risada agridoce. Abraço morada.  A paz de um olhar avassalador.

Pela janela surge a ideia.  Trilha sonora.  Bolero. Um tango no meio da  esquina nada democrática.  Me senti tão sozinha. Refém do meu passado. Emaranhada pelos meus próprios nós.  Era sábado.  Almoço ao acaso.  Sushi como cardápio.  A complicação de comer de palitinhos. O nervosismo de conhecer quem parecia já conhecer.  Os estranhos se entranhando. Numa dança esquisita que se chama atração.

 Intimidade doida que surge sem dar aviso. Vontade de largar o mundo.  Deixar tudo em reticências. Era sábado e eu pensando em fugir para qualquer lugar.  Onde estivesse mais perto de você e mais longe de mim.  Era amor antes de dizer olá.   Era sábado. Era o amor antes de ser amor. 

O jardim do poeta. Testemunha do beijo ansioso.  As mãos desajeitadas ao encontro de um espaço. Alivio para a inquietação.  Porto  a beira do abismo. A Igreja das Dores.  Banheira de vitórias régias. O poeta a espreita dos amantes.  Nossos silêncios fizeram um barulho imenso.  Encontro dos nossos vazios.  Os mesmos traumas. Os mesmos caminhos. Vontade de transcender.  Um do outro.  Um ao outro. Sentir o gosto. Experimentar sem desgosto.  Saber que Agosto está chegando.  Mas agora é sábado. Tudo vai ficar bem, de algum jeito ou de outro.

Era amor antes de dizer olá.  Era sábado. Era amor antes de ser amor.  Éramos do mundo. Andávamos sós.  Até que em um sábado meio ao acaso. Fez-se o laço.  Cachecol para alma. Remédio para a solidão. Vem curar o meu vazio. Vem cicatrizar os meus cortes. Deixa  despir os teus medos.  Esbarra a sua alma na minha. 

Deixa que é sábado. Deixa o mundo lá fora. A trilha sonora continua. Bolero. Nuances de forró. Um pouco de ópera. Dentro de mim uma cidade se acendeu. O seu sorriso agora não mais invertido encontrou o meu.

 Era sábado. Era amor antes de dizer olá. Era sábado. Era amor antes de ser amor.  Somos do mundo.  Transpirávamos solidão. Agora se fez primavera  nas suas mãos.