Crônica: Moletom Azul


MOLETOM AZUL


O teu moletom azul tem paz de espirito. Teu cheiro ficou no travesseiro, atravessou e fez lugar na minha alma. A tua personalidade é tão dissonante quando esbarra na minha. Teu tom de voz tem a serenidade do céu de brigadeiro, contrasta de forma exato com a  minha velocidade.  Parece o  que não temos em comum é o que nos torna perpétuo.
Eu viajo nas curvas do teu corpo.  Desenho o arpoador entre os teus dedos. Desvendo teus segredos pelas nuances da tua aura. Construo castelos entre uma conversa e outra.  Posso ficar horas  rascunhando meu futuro contemplando o teu olhar dançando ao encontro do meu.  A trilha sonora do  meu mundo  pelo tom da sua voz.  Os meus passos pelos contornos dos teus conselhos.  Deixo-me reger pela sorte do nosso amor tranquilo sem sair do lugar.
O  meu lugar é onde seu o universo escorregar. Reinvento-me pelas  cores bonitas do seu caráter.  Quando estiver com medo, me encontro dentro das suas roupas.  Aqui virou calmaria plena a cada vista que seus olhos me proporcionam. Sem procurar e nem enlouquecer, apenas aceitar e agradecer. Somos a frase em contraponto que nos diz  mesmo que fores embora  e seja complicado o retorno, ele  será válido e bem-vindo.

Eu viajo pelas experiências que tenho ao seu lado. Preciso da sua alma calma. Preciso da sua voz serena que sustenta todo resquício de impaciência que eu possa vir a ter.  Preciso de forma urgente da nossa rotina, da nossa estória requentada e desta estabilidade que torna tudo duradouro. Sem precisar mais olhar pela janela, já enxergo o mundo através do seu olhar.  Minha alma não é da cor a sua. Minha roupa ainda não tem a paz de espirito que procuro. Minhas cores bonitas ainda são inconstantes.   Mas não preciso mais olhar pela janela,  já enxergo  o mundo através do seu olhar.

Preciso ficar aqui sonhando acordada. Recordando-me das tuas cores. Vou ficar sem sair do lugar a fim de que você pinte no universo de novo. 

Crônica: Feliz Dia do Escritor





Sou tão distraída com datas e dias da semana, que para mim isso é tão pequeno. Mas me esforço para saber as datas comemorativas, afinal quero que as pessoas se sintam especiais assim como  me sinto especial quando elas me recordam de alguma data importante.



Ontem foi assim, rolando minha time line no Facebook,  meus olhos se depararam com algo especial. Ontem, foi dia do escritor, isso me remontou a tudo que está acontecendo nestes últimos tempos. Tudo começou, em um verão que iria entrar na primeira série, a turma que iria acompanhar já sabia ler e escrever. Como uma forma de cuidado, minha mãe e eu estudamos todo o verão antes de  entrar na primeira série. Foi assim que descobri o mundo mágico das palavras e dos livros, uma viagem rumo ao extraordinário que continua até hoje. Foi assim que desde muito cedo, descobri o meu talento, não me contentava com frases curtas e objetivas. Queria era criar histórias, dar vida aos personagens, com isso a cada dia mais usando os meus três combustíveis: paixão, motivação e inspiração.



Aos poucos fui me viciando em livros, devorei desde muito cedo os clássicos, os mais vendidos e nem precisava perguntar qual era o meu lugar predileto, a resposta sempre, a mesma,ou em uma livraria ou em uma biblioteca. Desta paixão, aos poucos fui transbordando, sabia que precisava de algo, mas não sabia exatamente o que. Era uma vontade insaciável e inesgotável de criar as minhas próprias narrativas. Precisava de uma forma urgente transportar o que sentia experenciava para o papel. Dar vida aos meus sentimentos, assim ao traem toda a minha adolescência comecei a escrever poesia, romances e crônicas. Arrisquei-me tendo minhas primeiras experiências, publicando em livros de colégio e jornais de paróquia. Com isso, fui tendo os meus primeiros gostos com o público, tendo um termômetro, mas de fato ainda não sabia que queria ser escritora. Sabia apenas que desde muito cedo tinha um potencial ser explorado, sabia que de alguma forma queria me tornar uma escritora. Não passei por aquela fase em que as crianças um dia querem ser médicas, em outro dia querem ser astronauta e não na  outra semana, nem sabem. Sempre tive uma ideia obstinada e obsessiva em querer ser algo que pudesse tocar os outros através das palavras.



De repente,  me vi  tendo que escolher uma carreira, fazer a minha escolha profissional não foi algo fácil. Afinal ninguém de fato me ensinou a saber escrever ou ler, claro que a escola ajuda, mas tenho um talento inato que sempre me impulsionou a criar coisas novas. Mas, sem um diploma e reconhecimento, provavelmente cairia no esquecimento. Com isso, me preocupei em escolher uma pessoa que pudesse ajudar os outros, mas que fugisse um pouco da zona de conforto. Preocupo-me demais em sempre estar “saindo da caixa”, procurando novos desafios, novos territórios a fim de que sempre possa descobrir algo novo. Com isso, a psicologia, sem desistir de ser escritora. Não nego que por um curto período de tempo, tentei negar as minhas origens, abortar o meu talento, mas foi em vão. Precisei criar um Blog para saber que de fato nasci para ser o que sempre fui escritora. Com esta nova plataforma, os anos foram passando e a vontade de criar um livro. A concretização do primeiro degrau do meu sonho nasceu este ano.  Entretanto, sei que a jornada está apenas nos primeiros capítulos, ainda virão mais histórias bonitas, algumas nuances, em cinza, mas se tivesse mais alma para dar, daria como diz o poeta.


Por fim, ontem foi o primeiro dia que de fato comemorei o dia do escritor. Depois de tanto, me tornei de fato uma escritora, essa é a minha essência, o que deixa a minha alma furta cor. Ainda prefiro ser como aquele pintor, tocar as pessoas através do coração, mais do que fama e reconhecimento, quero uma oportunidade para formar pontes ao invés de muros.

Crônica: Fase do Por Que




Toda criança que se preze passa pela fase do por que. Por que dá barulho e clarão no céu? Por  que tenho que dormir no escuro? Por que não posso comer o bolo todo? Uns mais outros menos, mas todos já ficaram inquietos com algumas questões que hoje parecem bobas.

Deixar  não passar a fase dos porquês, deixar que ela se estenda  por toda nossa existência. Comigo foi assim, ainda bem que continua sendo desta forma e assim por diante. Tudo começou com uma curiosidade absurda de tentar entender como os ponteiros do relógio caminhavam.  Minha mãe com toda paciência do mundo, tentou me explicar como era o tempo na forma de segundos, horas e a forma como os ponteiros caminhavam de um lado para outro. Muitos relógios de papelão foram montados como tentativa de fazer que entendesse o tempo. À medida que fui  crescendo ,me dei conta da minha enorme  dificuldade de aceitar o tempo propriamente dito. Sempre medi o tempo através de algo maior, atemporal que transmuta a cronologia. Afinal tempo na minha concepção é particular e infinito para cada um. Impossível ser medido ou fracionado. Depois veio a fase em que queria interferir nas  brigas de novela, interferir nas cenas e fazer que os personagens fizessem as pazes.

Depois fui passando para perguntas mais filosóficas, as classifiquei assim já que muitas não têm respostas. Na realidade, prefiro os porquês  às afirmativas.  Quanto mais possiblidades, caminhos, mais escolhas e com certeza mais histórias.  Questionava-me para onde iriamos depois que partíamos desse mundo, se os animais tinham a alma melhor do que a dos humanos, por que precisava crescer. Passava horas pensando em por que da gente esquecer certas coisas e recordar outras, o porquê  as nuvens não podiam ter gosto de algodão. Afinal  no meio de tudo isso vem alguns traços que permanecem, a minha imensa curiosidade, minha criatividade  e fantasia. De tanto porquês, nasceu meu lado investigativo e curioso.
Tenho uma curiosidade inata, assim como tenho perguntas infinitas dentro de mim. A minha fase do porque é algo eterno, que irá me fazer companhia ao longo da minha existência.
 Quero cultivar a minha curiosidade, alimentar a minha imaginação e dar asas a minha criatividade. Se não fosse assim, me conformaria com as respostas enlatadas, com as verdades inventadas e veria  o mundo conforme os olhos da TV. Mas prefiro  ser assim, de tanto ser assim me tornei metida. Não no sentido arrogância, mas realmente ir atrás do que quero e não medir esforços para tentar encontrar algo. Este algo às vezes vem sem nome ou sobrenome, mas se transforma em algo fantástico. Afinal tenho que saciar as minhas perguntas explorando novos territórios que levem a lugares fantásticos.


Por isso estenda a sua fase do porque, deixando de pensar que era apenas uma fase de criança. Aguce sua curiosidade pela vida, pelo mundo e pelo seu universo. Devore o seu cotidiano com perguntas que façam você sair da sua zona de conforto, te façam reciclar velhos hábitos, reinvente rotinas e até mesmo crie novos caminhos. Afinal os porquês fazem a gente se dar conta das infinitas possibilidades que estão orbitando ao nosso redor esperando que a gente as devore.



Crônica: Cultive o Seu Lado Chato



Todo mundo é chato. Sim e nem venha tentar disfarçar a sua chatice. Todo mundo é chato e ponto final. Temos aspectos chatos, de tanta chatice às vezes acabamos por nos tornar insuportáveis até para gente mesmo. O grande barato é termos consciência de nossas chatices a fim de fazermos algo produtivo com isso.
Já entendemos, somos chatos. 

Mas em que somos chatos? Bem, tenho as minhas chatices e como tenho. Sei que algumas delas deixam os que convivem comigo de cabelo em pé, outras nem eu mesma me entendo, mas resolvi fazer algo de bom com isso. Uma das minhas maiores chatices é a minha hiperatividade, eu adoro estar fazendo alguma coisa, se não estiver produzindo  algo por menor que seja, sinto que posso pirar. Preciso estar pesquisando, criando, escrevendo, inovando etc. Mas aprendi a focar isso em algo de produtivo, ou seja, sou do tipo que faço mil coisas ao mesmo tempo e posso não terminar nenhuma. Isso se estende para tudo, difícil isso de por um ponto final, se pudesse colocava uma porção de vírgulas e reticencias a fim de ir postergando os finais.

Outra  coisa  em que sou chata, tenho mania de esquecer os nomes das pessoas e tenho mania também de repetir as coisas. Talvez  isso case com essa minha certa hiperatividade, pouco a minha mente desliga. Até no sonho, crio e invento coisas que depois vou aplicar no real de alguma forma.  Lembrar-se de nomes de pessoas, tenho  problemas sérios problemas para decorar nomes, fora quando eu teimo que a pessoa se chama Ciclana e é Fulana. O que me ajuda é associar as pessoas com coisas que gosto, principalmente filmes e desenhos animados. Mas sou do tipo de pessoa que tenho a memória associada à emoção, se me marcou, deixando impresso algo na minha alma, eu ire recordar daquilo para sempre. Por isso sou movida por pessoas e acontecimentos que transmitem alma, cores bonitas e adicionem vida ao meu cotidiano.

Uma das minhas chatices também é colecionar tempestades em tampinha de refrigerante.  Mas, de uns tempos para cá, tenho trazido na minha mente, a frase que diz que gota de chuva  para uma formiga é como tsunami. Então resolvi transformar as minhas chatices em algo bom. Este meu lado hiperativo faz que eu me sinta convidada a sair da minha zona de conforto, busque novos desafios e com isso sempre queira experimentar o novo. Chamo esse meu lado da minha pulsão de vida que sempre grita por  movimento,  faz circular energia pelo universo a fim de ir saboreando coisas novas. O meu segundo lado chato, meu lado mais desligado e atrapalhado,  é transformada na capacidade de ter bom humor. Afinal se não rir de mim mesma quem vai rir? Este meu lado faz que aceite mais as minhas trapalhadas, transforme os meus enganos em inspiração que muito provavelmente vão se transformar em arte.


Transforme o seu lado chato, o seu lado insuportável em algo bom. Tenho certeza que as suas inseguranças, as suas manias,  os seus rituais, seus vícios ou que ser que sejam podem se transformar em algo bom. Podem vir a te ajudar no cotidiano, impulsionar o seu trabalho ou até mesmo ajudar alguém. Aprenda a reciclar suas chatices a fim de parar de desperdiçar energia. Afinal quanto mais chatices sem um fim lucrativo a gente cultivar no nosso mundo interno, mais energia mental jogada fora e mais lixo acumulado. Por isso ao invés de abrir de vez das suas chatices, dê um up e faça um download ou aplicativo para o real.


Parceria: Vicente Bombardelli






OLÁ CARPINTEIROS DO UNIVERSO !
Tudo bem com vocês Hoje venho divulgar o trabalho do Vicente Bombardeli, um querido aluno e ouvinte da minha palestra sobre o livro Conversas que Emagrecem. Ele é de Porto Alegre, tem quinze anos, gaúcho e estuda no colégio Dom Bosco de Porto Alegre. Ele participa de um grupo na sua escola que se chama AJS (Articulação Juvenil Salesiana), assim como ele também fui aluna do Dom Bosco e também participei da AJS, o mundo está repleto de deliciosas coincidências. Ele pratica esporte como: futebol, hóquei na grama, tênis e tênis de mesa. Ele gosta de assistir filmes, ler livros que são baseados em relatos verídicos e agora vem a melhor parte. Vicente gosta de escrever poesias e redações. Citando uma das suas obras favoritas foi Eu sou Malala, da paquistanesa de 18 anos Malala Yousafzai, a história chamou sua atenção pela forma como é narrada de forma sensível e intensa a luta pela educação e pelos direitos das mulheres no seu país de origem. A personagem foi baleada pelo Talibã ( grupo terrorista). Os maiores desejos de Malala é poder ir para a faculdade, ter filhos e litar por um sistema educacional. Por fim Malala nos recorda que uma professora, uma caneta e um livro podem mudar o mundo.
Com isso, inauguramos um nova etapa em nosso Blog Carpinteiros do Universo. Todos estão convidados a compartilhar suas ideias e nos enviar materiais para serem publicados. Tudo será avaliado com carinho e será publicado de acordo com algumas regrinha. Mandar um pequeno resumo assim como o Vicente se apresentando e dizendo um pouco do que aprecia e mandar um material sua própria autoria ( poema, crônica, conto, frase, desenho). O objetivo é divulgar, compartilhar a fim de que possamos formar pontes ao invés de muros.

VAMOS LÁ CARPINTEIROS DO UNIVERSO AO INFINITO E AO ALÉM



Primeiro Sorteio do Blog!!




ATENÇÃO CARPINTEIROS DO UNIVERSO!

 Com o Primeiro Lançamento do Meu Primeiro Livro: Conversas que Emagrecem pela Editora Penalux. Teremos o nosso primeiro sorteio para contemplar todos os leitores e seguidores do nosso Blog!

REGRAS OBRIGATÓRIAS 

  • Prazo: 11/07 à 30/07
  • Curtir a página do Face do Carpinteiros do Universo ou Nosso Twitter: carpinteiros@27
  • Ter lido o Livro Conversas que Emagrecem ou alguma crônica do Blog.
  • Escrever uma crítica ou uma resenha sobre o livro ou sobre alguma crônica que gostou do livro ou do Blog.
  • Serão aceitas também histórias pessoais ou de amigos que tenham haver com o livro ou o Blog.
  • Poderão ser enviada apenas um material por participante.
  • Os textos deverão ser enviados para: bruna_girardi_dalmas@hotmail.com ou pela minha página pessoal do Face, Bruna Girardi Dalmas
  • No dia 30/07 o vencedor será informado pelo Blog, Pelo Face e também pelo Twitter.

PRÊMIO 

  • 1 EXEMPLAR DO MEU LIVRO PREFERIDO , O ENCONTRO MARCADO DE FERNANDO SABINO
  • UM PRÊMIO SURPRESA
OBSERVAÇÕES

  • Caso o vencedor não seja do Rio Grande do Sul, o prêmio será enviado pelo correio sem custos adicionais.




Crônica: Lua


Sempre morei em apartamento, ficando complicada de realizar o meu sonho de ter um bichinho. Ainda bem que tenho a sorte da minha avó materna morar duas quadras da minha casa. Desde muito pequena, pude conviver com os animais. Tenho verdadeira paixão pelos animais, acredito que dentro de cada um deles tem uma alma, um pedaço da gente e cada um deles acaba por sincronizar e emparelhar os sentimentos de seus donos e das pessoas que convivem.


Afinal, há quase quatro anos, perdi uma das minhas melhores amigas, Maggie. Uma poodle Toy de porte médio, gorducha, leal e companheira até seus últimos dias. A pessoa preferida de sua vida era meu avô, em todos os lugares por onde ele ia, ela ia atrás. após o a almoço, vinha a soneca, meu avô na cama, ela embaixo da cama, roncavam até da mesma forma. Ele não precisava gritar com ela para obedecesse, ela sabia a hora que tinha de ir para a garagem dormir, quando era a hora de comer e quando era convida para subir no sofá. O meu convívio com ela foi intensa, posso dizer que ela não era apenas uma cachorra, tinha algo de mágico dentro dela. Afinal ela sabia quando estávamos com medo, quando nos sentíamos tristes ou apreensivos.

A medida que meu avô foi envelhecendo, foi ficando esquecido e não demorou muito para que as idas ao hospital se tornassem constantes. Todas as vezes que meu avô ficou internando, a Maggie adoecia junto. Pouco comia mal saía de casa, arrastava com as patinhas como se estivesse deprimida e ficava de prontidão na porta esperando que sua pessoa preferida retomasse. Todas as voltas do hospital, parecia que os dois se recuperavam juntos, até o humor e a forma como voltavam a vida parecia sincronizada. Com o tempo, meu avô foi morar junto com a estrelas, durante seis longos meses sua companheira ficou ali no portão esperando a sua volta. Ela perdeu o colorido, começou a ficar apática, pouco comia, pouco tomava água e sentíamos que quando seu dono partiu, algo dentro dela se quebrou para sempre.


Mas, ela tinha uma filha chamada Lua. Esta menor, mais esbelta e muito serelepe. Com temperamento forte, além de ser companheira de suas pessoas preferidas, também as defendia tentando morder. Porém, o seu jeito doce contracenava com seu temperamento explosivo. Com certeza, posso dizer fui uma das suas pessoas preferidas. Mas a sua pessoa preferida sempre foi a minha avó, impressionante que todas as vezes que ela andou sem bengala, os olhos atentos de Lua ficavam ali fitados. Esperava ansiosamente minha avó voltar para a casa, sentava em seu colo esperando que a afagasse e dormir lado a lado. Comigo caminhávamos, na rua, ela nem precisava de coleira, sabia exatamente por onde ir. Sempre me acompanhou quando fui ao banheiro, deitava em meu colo com os olhos fitos em mim ansiando por carinho, quando não tinha o que queria pedida atenção com suas pequenas patinhas.


Complicado isso de dizer adeus. Complicado deixar que as "pessoas" preferidas partam para morar nas estrelas, sejam elas caninas, humanas, felinas ou do tipo que for. Acredito que uma das partes mais complicadas da visa seja a gente fechar as portas, dizer adeus e principalmente pedir que o outro parta sem sofrer. No dia anterior da Lua partir, a levei na veterinária esperando por uma boa notícia, mesmo sabendo esta não viria. Sabia que era hora de conversas , sim converso com os animais. Sei que ela me amou tanto quanto a amei. Sei também que ela me entendia tanto quando eu a entendia. Falei para ela, partir na hora que desejase, que por mais que estivesse doendo muito, não queria vê-la sofrer. Em menos de vinte quatro horas, ela foi embora, deixando um enorme vazio. Acredito mesmo que os animais seja anjos de quatro patas que nos visitam para nos torarmos pessoas melhores. Afinal, aprendi muito mais com eles do que os humanos sobre: empatia, lealdade, agradar sem pedir nada em trocar, ficar por perto, companheirismo e amor.



Por fim assim como as 'pessoas" de quatro patas, passam temporadas em nossas vidas. Devemos ter consciência da sua partida, desta forma, saber saborear cada momento. Afinal em cada despedida, em cada partida, eles levam algo da gente, assim como, algo da gente fica com eles. Nessa troca de sentimentos histórias, momentos forma uma ponte com a eternidade.

Crônica: Um Pouco Alice


Aproveitando aniversário de 150 anos de uma das minhas histórias prediletas: Alice no País das Maravilhas. Criei uma pequena crônica para ilustrar o meu apreço por esta obra, espero que gostem!






Estou aqui ainda me deliciando com este meu novo papel , ser escritora que sempre fui. Permaneci um tempo afastada, tentando fugir da minha essência De vez em quando, a gente tenta brincar com o destino, correr para longe dos nossos talentos e acabamos por nos auto sabotar. Por muito tempo pensei em negar o meu lado de artista, tentei em vão viver apenas no mundo real, mas não adianta sou e sempre Alice.


Preciso correr atrás do meu coelho branco, ou seja, seguir os meus instinto.Escutar aquela voz que me diz não só se é um tiro no escuro, mas também se estou indo na direção certa. Preciso me aventurar pelo jardim das flores falantes, inflar ou diminuir perante o que for experienciado. Preciso comer fatias de torta a fim de morder os episódios que forem aparecendo, tentando controlar a minha curiosidade, porém me deixando guiar pela minha criatividade. De vez em quando, irei enfrentar a tirana de alguma rainha louca, terei que encontrar a saída, nem que para isso vá me perder algumas vezes. Irei encontrar alguns chapeleiros, uns malucos, outros insanos, outros essenciais que me mostrarão outras nuances de cores, formas de perceber o mundo e principalmente de me divertir. Pode ser que este venha acompanhado pela sua amiga Lebre, tentarei de todas as formas me divertir com a sua maluquez, mas sem perder a minha sanidade. Contarei com os conselhos de alguns gatos de sorrisos enigmáticos, tentarei decifrar algumas charadas e metáforas.


Também irei enfrentar a tirania de algumas rainhas loucas que tentarão de todas as formas cortar as minhas cabeças. Outras vezes, essa mesma rainha irá me dar ordens como pintar as rosas de carmim. Posso também cruzar com irmãos gêmeos, que apenas concordam e rimam um com outro, podem ser amigos, que apenas não tem visão própria, ficarão ali ao meu lado, simplesmente concordando com que escolho. Posso também precisar da companhia da lagarta azul, esta me explicará o caminho, me conduzirá ao mundo extraordinário e me ajudará a compreender o que ainda não compreendo. Nesse mundo de fantasia criado pela minha mente a fim de conseguir dar vazão ao mundo real. Afinal nunca tive a pretensão de escrever a respeito da realidade propriamente dita, sempre quis criar o mundo mundo de maravilhas. Escrevo conforme o que sinto, percebo, apreendo e compreendo. Meu mundo de maravilhas, tecido a partir do que experiencio, ganha vida, cor, forma a partir das palavras. Meu processo de criação precisa deste mundo paralelo a fim de ele possa de fato ganhar vida.


Sou como Alice, curiosa, destemida e criativa. Muitas vezes peco pelo excesso de imaginação, outras vezes dou uma mordida maior do que posso comer. Por vezes me encolhe frente aos meus medos, por outros me inflo frente ao desconhecido. Outras vezes pequei pela curiosidade em demasia. Em outros momentos, também fui tirana, em outros maluquinho, em tantos outros precavida como a lagarta. De vez em quando apressada como o coelho branco, em outros apenas concordei como os gêmeos. Também tenho e alimento meu gato enigmático

O que escrevo conversa com a psicologia. De uma forma subliminar, meio sem querer querendo. Estou praticando a "cura" pelas palavras de uma forma sútil, a medida que vou contando as minhas experiências, vou temperando com diversos condimentos. Talvez este seja o grande barato de escrever, poder proporcionar as pessoas mudanças sem que sejam impostas, sim sentidas.

Crônica: Ponto Cego





Nosso ponto final continua ainda sendo o meu ponto cego. Nossos encontros e desencontros são o meu ponto fraco. Nossa história ainda colore a minha alma, às vezes em tons de cinza, de certa forma, sempre com cores bonitas.

Admito que ainda acordo achando todos os dias tudo um pouco desigual. Aqui continuo transbordando de sentimentos não sentidos, cartas não enviadas, palavras ditas em silêncio e nostalgias. Ainda levo você em minhas orações, confesso que ainda te mantenho como um ponto fraco, um ponto cego, um beco sem saída e um botão de emergência. Como se o que ainda restou de você, me fizesse ter uma certeza de que tudo por aqui pode desabar, mas ainda terei um lugar para ir.

Nem o tempo que passou. Nem os outros que amamos e fomos encontrando no caminho. Nem a distância construída. Nem a saudade que virou monumento. Nem as ausências que teceram lonjuras. Há sempre uma porta aberta, uma janela a espreita, uma linha sobrando em meus versos, um pensamento revirando o passado, uma expectativa em ter noticias que ainda nos mantém conectados. Confesso que ainda mantenho as vírgulas por aqui, assim como espano um pouco os sentimentos ruins a fim de preservar apenas o que restou de bom.

Por mais que tentei de forma titânica retirar o que restou de você, nem todas as tentativas hercúleas conseguem driblar as memorias. Preferi, construir espaços para você. Caso queira visitar a minha alma, peço que primeiro me diga ao que veio. Se vier tomar apenas um café, ou estender a prosa, compartilhar novidades ou quem sabe a vida. Diga-me o que veio fazer aqui, já que para revirar novamente as minhas gavetas, primeiro despe a minha alma. Colore as nuances agora acinzentadas pela sua ausência.

Encontre as chaves perdidas após sua partida. Se quiser venha, mas chegue logo, minha alma agora se encontra abatida pelo tempo. Meu coração, amarelado de saudade. Meus pensamentos em tons alaranjados de ansiedades. Venha, mas permaneça, cansei dessas suas idas e vindas que só engordam meu espirito e confundem a minha mente.