Crônica: Um Pouco Alice


Aproveitando aniversário de 150 anos de uma das minhas histórias prediletas: Alice no País das Maravilhas. Criei uma pequena crônica para ilustrar o meu apreço por esta obra, espero que gostem!






Estou aqui ainda me deliciando com este meu novo papel , ser escritora que sempre fui. Permaneci um tempo afastada, tentando fugir da minha essência De vez em quando, a gente tenta brincar com o destino, correr para longe dos nossos talentos e acabamos por nos auto sabotar. Por muito tempo pensei em negar o meu lado de artista, tentei em vão viver apenas no mundo real, mas não adianta sou e sempre Alice.


Preciso correr atrás do meu coelho branco, ou seja, seguir os meus instinto.Escutar aquela voz que me diz não só se é um tiro no escuro, mas também se estou indo na direção certa. Preciso me aventurar pelo jardim das flores falantes, inflar ou diminuir perante o que for experienciado. Preciso comer fatias de torta a fim de morder os episódios que forem aparecendo, tentando controlar a minha curiosidade, porém me deixando guiar pela minha criatividade. De vez em quando, irei enfrentar a tirana de alguma rainha louca, terei que encontrar a saída, nem que para isso vá me perder algumas vezes. Irei encontrar alguns chapeleiros, uns malucos, outros insanos, outros essenciais que me mostrarão outras nuances de cores, formas de perceber o mundo e principalmente de me divertir. Pode ser que este venha acompanhado pela sua amiga Lebre, tentarei de todas as formas me divertir com a sua maluquez, mas sem perder a minha sanidade. Contarei com os conselhos de alguns gatos de sorrisos enigmáticos, tentarei decifrar algumas charadas e metáforas.


Também irei enfrentar a tirania de algumas rainhas loucas que tentarão de todas as formas cortar as minhas cabeças. Outras vezes, essa mesma rainha irá me dar ordens como pintar as rosas de carmim. Posso também cruzar com irmãos gêmeos, que apenas concordam e rimam um com outro, podem ser amigos, que apenas não tem visão própria, ficarão ali ao meu lado, simplesmente concordando com que escolho. Posso também precisar da companhia da lagarta azul, esta me explicará o caminho, me conduzirá ao mundo extraordinário e me ajudará a compreender o que ainda não compreendo. Nesse mundo de fantasia criado pela minha mente a fim de conseguir dar vazão ao mundo real. Afinal nunca tive a pretensão de escrever a respeito da realidade propriamente dita, sempre quis criar o mundo mundo de maravilhas. Escrevo conforme o que sinto, percebo, apreendo e compreendo. Meu mundo de maravilhas, tecido a partir do que experiencio, ganha vida, cor, forma a partir das palavras. Meu processo de criação precisa deste mundo paralelo a fim de ele possa de fato ganhar vida.


Sou como Alice, curiosa, destemida e criativa. Muitas vezes peco pelo excesso de imaginação, outras vezes dou uma mordida maior do que posso comer. Por vezes me encolhe frente aos meus medos, por outros me inflo frente ao desconhecido. Outras vezes pequei pela curiosidade em demasia. Em outros momentos, também fui tirana, em outros maluquinho, em tantos outros precavida como a lagarta. De vez em quando apressada como o coelho branco, em outros apenas concordei como os gêmeos. Também tenho e alimento meu gato enigmático

O que escrevo conversa com a psicologia. De uma forma subliminar, meio sem querer querendo. Estou praticando a "cura" pelas palavras de uma forma sútil, a medida que vou contando as minhas experiências, vou temperando com diversos condimentos. Talvez este seja o grande barato de escrever, poder proporcionar as pessoas mudanças sem que sejam impostas, sim sentidas.

2 comentários:

  1. Todas somos ou deveríamos ser um pouco de Alice, não é mesmo? Realmente vamos encontrar muitas rainhas pela vida, talvez a gente troque a perseguição do coelho branco por distrações momentâneas.... Certamente iremos encontrar muitas figuras. Eu adoro o jeito com que tu escreve!

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